O livro apresenta um conjunto de textos, poemas, e delírios presentes nas gravações de Stela do Patrocínio, interna do Hospital Colônia Juliano Moreira.

A artista plástica e voluntária, Neil Gutmacher, junto com Carla Guagliardi, interna do hospital, resolveram, após conversas com enfermeiras, gravar, com fitas cassetes, as falas em forma de poesia que Stela pronunciava nos corredores.

Stela permaneceu no hospício por quase trinta anos,da década de 70 até 1992, ano de sua morte.Apesar de

nesta época já serem debatidas as questões anti-manicomiais, o Hospital ainda pertencia a longa linhagem de manicômios com grades e celas, e foi neste ambiente que Stela encontrou em seus poemas e divagações forma de expressar sua visão diferenciada do mundo e de permanecer “sã”.

Para Viviane Mosé ela: “registra um lugar, uma condição, a da internação em regime fechado, que já desaparece de nossa cultura. Mas é muito mais valiosa pelo caráter vitorioso de sua conquista da exterioridade: ler e ouvir Stela é integrá-la no discurso que um dia a excluiu…”

Impelida por sua curiosidade e fascínio pelas palavras de Stela, Viviane Mosé resolveu coletar as informações e fazer um belo livro que mostra o olhar de Stela através das grades do hospital.

O livro é dividido em oito partes. A primeira traz o subtítulo de “Um homem chamado cavalo é meu nome”,     seguido por “Eu sou Stela do Patrocínio, bem patrocinada”, “Nos gases eu me formei, eu tomei cor”, “Eu enxergo o mundo”, e terminando com “Procurando falatório”. É um belíssimo livro, com um ponto de vista inédito para a maioria das pessoas.

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